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Bocage

12 Boas razões para plantar uma sebe

Vamos ser directos: as sebes estão sempre incluídas nos nossos designs, são os elementos que nunca falta e que nunca falha.
Porém, são muitas vezes consideradas como uma opção a implementar, eventualmente, e sempre depois das produções… Nada seria mais errado do que optar por plantar um pomar ou qualquer outra produção, antes duma sebe, ou até, desdenhar a própria plantação da mesma até ao dia “em que… arranjarmos tempo”.
A verdade é que, embora sejam meras “estruturas contínuas de vegetação”, as sebes não têm nada de monótono: cumprem diferentes e numerosas funções ecológicas, e oferecem muitos serviços aos humanos:  são extremamente úteis, são multifuncionais, são ecológicas, são rentáveis! Como tal, são um elemento imprescindível num bom design ecológico regenerativo…

Listamos aqui 12 boas razões para plantar uma (ou várias) sebes:

1. Como protecção contra os ventos:

As plantas cultivadas que vivem expostas aos ventos violentos não são as únicas a sofrerem quando o vento sopra: o gado, as estufas, as pessoas, os edifícios e o solo, são enfraquecidos, quebrados ou lesionados, secos, desidratados e erodidos!

As sebes corta vento são uma solução multi-funcional como protecção dos ventos frios, mas não só: os ventos secos estivais podem diminuir as produções agrícolas em 20% e, em locais expostos às brisas e névoas marítimas, as sebes corta-vento têm assim um papel ainda mais benéfico (ver Pinhal d’El Rei).

A zona que beneficia da protecção do vento, equivale a 6 a 15 vezes a altura da sebe, e na mesma zona, os rendimentos culturais serão aumentados até 35%.

Quanto aos animais, estes sofrem perdas energéticas e doenças pulmonares (e por vezes mortes) que podem ser diminuídas (ou a produção aumentada) até 30% aquando da protecção do vento através duma sebe.

2. Para ir comendo, a caminho:

Quem não gosta de petiscar umas romãs, framboesas, nêsperas, avelãs, maçãs ou ameixas enquanto vai a caminho de casa? Ou até ao prado onde ficaram uns animais a pastar? Ou simplesmente, ao acordar de manhã, antes de sair para o trabalho, apanhar uns medronhos quando se abre o portão? O limite é a imaginação, e não há nenhum motivo para uma sebe não ter a função de produção alimentar.

3. Para fornecer alimento e abrigo para a fauna e a micro-fauna:

O efeito duma sebe especialmente desenhada para servir o fomento da biodiversidade, é benéfico tanto para a fauna, a micro-fauna, como para o agricultor: a floração da sebe atrai os polinizadores e os insectos auxiliares, e “distrai” os pequenos predadores das culturas agrícolas, ao mesmo tempo que fornece abrigo aos predadores destes animais, como o lince, ou a raposa, que, respectivamente, comem 1 coelho por dia, e 6000 ratos-do-campo por ano.

Este tipo de sebe pode ainda ser ordenada segundo as rotas e movimentação dos animais (ao longo dos trilhos dos javalis), para servir de corredor silvestre.

4. Para mitigar a erosão hídrica e hidratar a paisagem:

A erosão hídrica é um dos problemas mais graves e mais alarmantes no nosso território: a precipitação está concentrada em poucos meses, e em quantidade, e as terras estão, na sua maioria, muito degradadas: este dois factores (entre outros) aumentam não só a incidência mas a intensidade da erosão hídrica, cada vez mais.

Entre as estratégias de controlo de erosão encontram-se as sebes de controlo de erosão hídrica: estas não só servem para mitigar as perdas de solo e de nutrientes, mas também para capturar a água, de forma muito eficiente.

A plantação deste tipo de sebe, em curva de nível poderá armazenar, no solo até 5m3 de água por metro linear/ano.

Uma sebe de controlo de erosão hídrica contribui assim também para o aumento dos rendimentos das culturas (através da produção de bio-massa/adubação, e na redução das necessidades hídricas das culturas, dado a sua capacidade de reter água.

5. Para proteger as margens ribeirinhas:

A sebe ribeirinha é mesmo a nossa favorita, não tanto por ser mais importante do que os outros tipos de sebe, mas porque concentra geralmente todas as funções que uma sebe pode ter, e por ser fundamental para o equilíbrio do ciclo hidrológico no aumento em volume e em durabilidade do caudal dos rios, ribeiros e riachos.

No ecossistema ribeirinho, a vegetação da galeria ripicola (em ambas margens) vem:
– Criar sombra, frescura e humidade;
– Potenciar e maximizar a infiltração da água no solo;
– Filtrar e depurar a água;
– Regular o ciclo hidrológico;
– Contribuir para o equilíbrio biológico das zonas húmidas e/ou ribeiras, aumentando o oxigénio disponivel;
– Fomentar a vida aquática, oferecendo abrigo e alimento para a fauna aquática;
– Controlo de erosão:
A sebe ribeirinha contribui de forma decisiva na estabilização das margens: a título de exemplo, uma sebe de salgueiro de 20 anos resiste 20 vezes mais á erosão das margens do que um enrocamento!

Algumas das espécies adaptadas ao ecossistema ribeirinho:
Salgueiro; Amieiro; Freixo; Rosa canina; Pilriteiro; Ulmeiro; Tamargueira; Tamujo; Choupo; Sabugueiro; Loureiro; Sanguinho-de-água; Urze; Hipericão; Menta; Vetiver; Silva; entre muitas outras…

6. Para depurar:

As sebes podem auxiliar na depuração de vários tipos de poluições: sonoras, aéreas, visuais, ou hídricas.

No caso de plantações de sebes ao longo e na cintura das zonas húmidas, as sebes facilitam a drenagem das mesmas, permitindo não só a infiltração da água no solo, mas também que o agricultor possa entrar na sua parcela mais cedo em zonas húmidas situadas no limite da parcela agrícola.

Este tipo de sebes têm igualmente um poder depurador muito alto: absorvem em média 70% dos nitratos e fosfatos que escorrem para a ribeira!

7. Para reduzir a intensidade ou travar incêndios florestais:

Muitos casos de incêndios florestais foram travados ou parados, em povoações constituídas por vegetação resistente ao fogo: um povoamento de bétulas no norte de Portugal, que pára totalmente um incêndio florestal alimentado por um pinhal anexo; o caso de estudo dos ciprestes, em Espanha; os exemplos são inúmeros!

É caso para repensar o ordenamento das zonas com alto risco e é tempo de plantar uma sebe corta-fogo no nosso sector de risco de incêndio!

8. Para criar abrigo e alimento para o gado:

Quem nunca observou ovelhas agrupadas debaixo duma azinheira ou um sobreiro no alto calor do verão? Ou vacas encostadas às poucas oliveiras, num dia de chuva intenso?

Como já foi mencionado na descrição das sebes corta-vento, as sebes podem contribuir para o aumento da produtividade dos animais até 30%, ao protegê-las dos ventos frios, mas não só: a presença das sebes diminui o pisoteio na parcela nas alturas em que o solo é mais vulnerável (pico do verão e nas épocas de chuva), pois os animais abrigam-se por baixo das sebes e circulam muito menos dentro da parcela.

No nosso clima em particular, as sebes contribuem a amenizar, ou a tornar mais suportáveis para os animais, as altas temperaturas estivais…

É muito fácil, para quem cuida de animais, imaginar uma sebe onde o gado se abriga, complementa e diversifica a sua alimentação, de forma intuitiva e espontânea, e que o protege/impede de se deslocar para locais onde possa ter impactos negativos (margens de ribeiras; terrenos agrícolas, etc.).

Muitas espécies arbóreas podem na verdade servir de forragem para vários tipos de gado (escolher as espécies em função da criação: suino, caprino, ovino, bovino, e até aves de criação), como:
Abrunheiro, Acer, Alfarrobeira, Ameixeiro, Amieiro, Amoreira, Aveleira, Betula, Carpino, Castanheiro, Faia, Figueira, Framboeseira, Freixo, Gleditsia, Kiwi, Macieira, Marmeleiro, Medronheiro, Nogueira, Oliveira, Pawlonia, Pereira, Quercus spp., Sabugueiro, Salgueiro, Silva, Tílias, Ulmeiro, Urze, Vetiver, Videira, etc.,

10. Para dividir espaços e criar privacidade:

Podemos optar por plantar uma sebe florida para delimitar e ornamentar um caminho, uma sebe espinhosa ou alta para dividir terrenos de proprietários diferentes, ou podemos escolher dividir as nossas parcelas com cercas vivas que irão suportar ao mesmo tempo os polinizadores dos pomares… em todo o caso, a divisão do espaço através duma sebe viva pode ser integrada numa cerca convencional (rede, muros, etc.).

11. Para melhorar a qualidade e o carácter paisagístico local:

Quando está em flor, quando dá fruto, ou na primavera, quando “esverdece” aos poucos, mas também, e sobretudo, quando no outono, se transforma numa explosão de cores as mais diversas e improváveis;

A sebe enquadra a paisagem e dá-lhe um toque aconchegante e agradável, ao mesmo tempo que atrai uma multitude de pássaros e insectos auxiliares!

9. Para produção de biomassa, lenha e outros subprodutos:

As sebes são uma fonte de biomassa muito interessante e versátil:
Servem para quem procura este recurso para compostagem, ou para mulch (estilha), ou, simplesmente, in loco, como adubo orgânico natural para os solos anexos (manta morta).

Para além disso, também providenciam uma série de sub-produções, como: cogumelos, plantas medicinais (lavanda, rosmarinho, pilriteiro, rosa canina, etc…), material para artesanato (salgueiros, bétulas, cedro, oliveira, nogueira, etc.), que podem ser trabalhados ou transformados e comercializados, trocados, ou servir para a própria casa;

Muitas pessoas têm um jardim, um terreno, mesmo pequeno e… uma lareira…. Perde-se muito ao não conectar estes dois elementos: da sebe/cerca-viva da casa, à lareira,são uns poucos metros e uns poucos gastos, que se juntam num aspecto agradável, e numa produção de baixa manutenção.

Entre outras espécies (para lenha ou biomassa):
Eucalipto, Choupo, Castanheiro, Faia, Bétula; Acácias, Robinia, Pinheiros, Carvalhos, Ulmeiro, Freixo, etc…

12. Para criar microclimas:

À sua escala, a regulação micro-climática das sebes pode ir até +/-5ºC:
A evapotranspiração das plantas aumenta a frescura e a humidade, bem como a formação de orvalho;

Da Primavera até ao Outono, a sebe actua como reguladora térmica: capta o calor, para o restituir progressivamente;

A sebe “absorve” os ventos fortes;

Mas com todos estes estes serviços e funções oferecidas pelas sebes, em troca de uma manutenção muito, mesmo muito baixa, é fácil imaginar uma paisagem bem fornecida e decorada por uma rede  extensa de cercas vivas. Neste caso, em que a rede de sebes variadas atinge áreas extensas, podem diminuir, ventos de 70km/h para 40km/h e acumular o papel de regulação climática sobre hectares e hectares de território.

Para concluir:
Cada tipo de sebe, em função do objectivo atribuído, tem de preencher uma série de critérios diferentes na sua concepção: largura e extensão, a inclusão de plantas específicas, ordenamento e orientação, etc.

No entanto, dum modo geral, uma sebe deve sempre ser: mista, multifuncional, pluriestratificada, e orgânica, composta por:
– Espécies e famílias diferentes;
– Plantas com diferentes funções e características: comestíveis, corta-vento, fixadora de N, meliferas, de folhas caducas e persistentes, etc.;
– Espécies com floração, frutificação e produção em diferentes épocas do ano;
– Vários estratos e alturas: arbóreo, arbustivo, herbáceo, sub solo (micorrizas, rizomas, micro-fauna, etc.), vertical (trepadeiras);

A sebe protege, abriga, alimenta, hidrata; a sebe tem tudo para agradar.
Quando é que planta a sua?

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