Planeamento estrutural – Cerro do Lobo

TIPOLOGIA
Planeamento Estrutural Regenerativo

Cerro do Lobo
Agricultura Biológica e regenerativa, Gestão florestal e Eco Turismo

  • Local: São Teotónio, Odemira
  • Cliente: Privado
  • Data: 2017-2018
  • Extensão: 54 Ha.
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL
A propriedade, que se insere na paisagem rural de São Teotónio, Concelho de Odemira, ocupa uma área com cerca de 54ha, e encontra-se entre os 60 e os 130m de altitude. A morfologia é acentuada com vales bastante encaixados e encostas predominantemente voltadas a sudeste ou a noroeste cujo declive pode atingir os 50% de inclinação. A existência de vales e cumeadas dentro da propriedade oferece a oportunidade de gestão da hidrologia ao nível da criação de barragens de retenção de água e cisternas nos pontos mais altos para fornecimento de água por gravidade.
A propriedade encontra-se numa área caracterizada por clima temperado mediterrânico, com influência Atlântica, com Verão seco e suave e com precipitação média anual entre os 600 e os 800mm que se concentra entre os meses de Novembro a Abril, apresentando um carácter torrencial típico das áreas mediterrânicas, com ventos dominantes dos quadrantes Noroeste e Sudoeste.
A bacia hidrográfica que colecta água encaminhando-a para a propriedade do Cerro do Lobo tem uma área total de cerca de 330ha. Inclui no seu perímetro aspectos topográficos diversos: zonas planas (com uma várzea notável de aprox. 3ha, orientação N-S), encostas suaves, e encostas mais acentuadas, com orientações cardinais variadas;  Este conjunto permite oportunidades complementares, tanto na tipologia da produção ecológica, no potencial a nível de actividades de lazer, como no aproveitamento de recursos naturais.
Ao nível da vegetação existente, esta varia conforme a inclinação das encostas, sendo que nas encostas voltadas a norte/noroeste predominam os sobreiros, outros carvalhos (como o Quercus rotundifolia, o Quercus faginea e o Quercus pyrenaica), medronheiros e
zambujeiros e nas encostas voltadas a sul/sudeste apesar da vegetação ser bastante esparsa predominam as urzes (como a Erica arborea).

OBJECTIVOS DO PLANEAMENTO

A proposta de Planeamento Estrutural aqui apresentada visa fornecer as orientações para o estabelecimento e desenvolvimento de uma quinta de produção agrícola e florestal localizada em São Teotónio, Odemira, servindo de plano base para o seu desenvolvimento futuro sempre em estreita harmonia com a natureza e o meio envolvente.

Nesta quinta para além de servir de residência, pretende-se desenvolver outras actividades como um restaurante, eco-camping, recepção de workshops e outros eventos, bem como produção agrícola e florestal com foco na produção de cogumelos, espargos, medronho, figo-da-índia e citrinos (limão yuzu e lima caviar). Entre os elementos a planear, encontram-se assim todas as infra-estruturas conexas às actividades supra-mencionadas, ou seja: área destinada à localização das habitações, restaurante e outras construções de apoio, caminhos viários, parcelas de produção agroflorestal, parcelas de produção agrícola, parcelas de pastagem, enquadramento da actividade apícola, barragens, cisternas de armazenamento de água e zona de turismo em ambiente de camping ecológico/eventos temporários.

 

SINGULARIDADES

Observa-se que a propriedade se encontra classificada segundo três categorias distintas (PDM Odemira):

  • Espaços de Valorização e Protecção Ambiental 1 (Artigo 17.º do PDM):

Dentro desta classe encontram-se os leitos normais dos cursos de água, zonas de galerias e faixas amortecedoras, além das suas margens naturais.

  • Espaços de Valorização e Protecção Ambiental 4 (Artigo 17.º do PDM):

Esta Sub-Zona é constituída pelas encostas com declives superiores a 35% em todo o território, à excepção das pertencentes aos Espaços de Protecção e Valorização Ambiental 1, 2 e 3.

  • Espaços Agro-silvo-pastoris II (Artigo 18.º do PDM):

São áreas de baixa a muito baixa fertilidade do solo sem especiais problemas de erosão e destinam-se principalmente à exploração de sistemas arvenses, arbóreo-arbustivos de sequeiro ou a usos silvo-pastoris. Neste caso inserem-se na Categoria II que define as áreas ocorrentes nas Faixas Central e Interior do Município.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo