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O que são as Zonas 5?

Zona 5, o ” buffer” ecológico:

 

Em permacultura é fundamental o conceito de zoneamento ou sectores. O zoneamento pode variar de acordo com as necessidades de cada pessoa ou projecto.

Por norma a Zona 5 é uma área mais selvagem e a sua principal característica é a conservação e regeneração ecológicas; nesta zona pouca ou quase nenhuma intervenção é feita. É uma boa boa zona de observação e aprendizagem,  de como o ecossistema funciona por si só.

Num contexto de gestão florestal, a zona 5 é deixada crescer, cumprindo várias funções de estabilidade e diversidade ecológica, assim como maximiza a infiltração de chuva nas zonas altas florestadas.

A zona 5 começa a ser vista como potencial aliada para actividades como caça, floresta, turismo, pedagogia e restauro ecológico.

Por norma, no contexto de um projecto regenerativo, a zona 5 é uma encarada como uma forma de matriz/padrão obrigatório em cada propriedade, mas adaptada ao contexto e circunstancias presentes no momento.

1- As cumeadas, captar água com floresta:

São zonas de salvaguarda ecológica, com florestação recorrendo a espécies de diferentes estratos, tais como (entre muitas outras):

  • Acer spp.;
  • Arbutus unedo;
  • Betula spp.;
  • Craetagus monogyna;
  • Erica spp;
  • Juniperus oxycedrus;
  • Lonicera implexa;
  • Myrtus communis;
    • Pinus pinea;
    • Pistacia lentiscus;
    • Pyrus pyraster;
    • Quercus coccifera;
    • Quercus faginea;
    • Quercus lusitanica;
    • Quercus suber;
    • Thymus spp;

Esta floresta de cumeada, aumenta a resiliência face a catástrofes naturais, ao mesmo tempo que assegura a hidratação da paisagem.

Esta é a floresta que fixa água, pois torna-se com o tempo, numa autêntica esponja para a água da chuva. Aqui, infiltra-se chuva, hidrata-se os solos e recarrega-se aquíferos. Outra característica, igualmente importante desta zona, é o facto destas florestas aumentarem, consideravelmente a precipitação local por meio de captura dos nevoeiros de Noroeste e Sudoeste, também designado de chuva orográfica.

2-  As ribeiras e as bacias primárias, segurar a água:

Sejam permanentes ou sazonais, procede-se à reflorestação das galerias ripícolas, restabelecendo-se de novo as funções ecológicas e para que sirvam de corredores ecológicos para a biodiversidade local.

Depois de estabelecidas as zonas 5 e galerias ripícolas, estas tornam-se autênticas corredores de vida aumentando consideravelmente a humidade no local.

Entre muitas outras, eis algumas das espécies, de diferentes estratos, a introduzir nas linhas de água e bacias hidrográficas primárias:

  • Populus spp.;
  • Salix spp.;
  • Alnus glutinosa;
  • Fraxinus angustifolia;
  • Tamarix africana;
  • Sambucus nigra;
  • Ulmus spp.;
  • Laurus nobilis;

Nestas ribeiras deve-se planear a implementação de charcas temporárias, sequenciadas vale após vale, e alinhadas em contorno sempre que possível.

3- Corredores verdes permanentes, regeneração em rede:

De pouco ou nada serve haver zonas de salvaguarda ecológica, se não tiverem acesso/comunicação entre si: É fundamental interligar os diferentes elementos da zona 5 numa rede, para potenciar ao máximo as suas funções.

Os corredores verdes são faixas de floresta permanente que ligam vale após vale, as zonas ripícolas. devem ter uma largura mínima de 15m, e dispostas em contorno/curva de nível.

Estas faixas têm ainda importantes funções no contexto das actividades humanas, como corta vento, retardante de fogo, proteção á erosão, protecção de avalanches/deslizamentos/enxurradas, entre muitas outras.

 

Dentro desta “matriz” permanente, encaixamos então as actividades humanas essenciais ás populações rurais, nomeadamente a gestão florestal, através de “mosaicos” mistos articulados no espaço e no tempo; tudo assente num “framework” de hidratação da paisagem.

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