Planeamento estrutural para o Eco-Hotel Etosoto

TIPOLOGIA

Planeamento Estrutural Regenerativo

ETOSOTO
Eco-Hotel, Regeneração ecológica, hidratação da paisagem, gestão florestal e fruticultura mista

Local: Cabo Espichel
Cliente: Privado
Data: 2017-2018
Extensão: 152 Ha.

CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL

A propriedade insere-se na paisagem única do Cabo Espichel, junto à localidade da Azóia, na freguesia de Castelo, no concelho de Sesimbra e ocupa uma área com cerca de 152ha.

Apresenta várias condicionantes legais como o PDM de Sesimbra, o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNArr), a Rede Natura 2000 (Zona de Protecção Especial (ZPE) e Zonas Especiais de Conservação (ZEC)), a Rede ecológica Nacional (REN), a Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Estudo de Impacto Ambiental.

Devido à escala da propriedade, esta, abrange vários tipos de morfologias com declives desde o suave a acentuado, com vales mais ou menos profundos e encostas viradas a todos os quadrantes, oferecendo assim excelentes oportunidades de gestão da hidrologia.

A nível de vegetação, a propriedade é composta por grandes e variadas comunidades, entre elas, e a mais dominante na paisagem, os matos termomediterrânicos prédesérticos, sendo estes protegidos por lei (Habitat 5330).
Devido à proximidade do Cabo Espichel a propriedade apresenta ruínas do antigo aqueduto, ocorrências arqueológicas a proteger, assinaladas em estudo de Impacto Ambiental.

Ao nível climático a propriedade insere-se num clima temperado mediterrânico com influência Atlântica, com pluviosidades médias anuais de 679mm e ventos dominantes de NW e SE.

Ao nível hidrológico existem três bacias hidrográficas que abrangem a propriedade, elas são:
– Bacia hidrográfica da ribeira da Mareta com 363ha.;
– Bacia hidrográfica da ribeira dos Caixeiros e ribeira dos Areeiros com 161ha.;
– Bacia hidrográfica da ribeira do Chapim com 70ha.

Devido ao seu regime temporário, violento (chuvas em grande quantidade e intensidade) e sem gestão, estas linhas de água e ribeiras formam extensas zonas de erosão ao longo da propriedade.

 

OBJECTIVOS DO PLANEAMENTO

O projecto Etosoto, além do Eco-Hotel e das actividades turísticas a ele associadas, pretende desenvolver outras actividades como: a construção contemporânea em madeira e a produção agrícola e florestal funcionando como um laboratório vivo em estreita comunicação com as comunidades locais e as universidades. O objectivo é estudar e experimentar formas e técnicas agrícolas inovadoras, que permitam fazer pontes económicas inéditas entre o campo, a cidade, e os consumidores e experimentar
diferentes tipos de hortas orgânicas intensivas, envolvendo os agricultores e cooperativas de Sesimbra, as universidades, a restauração e distribuidores, todos juntos, criando uma rede de comunicações, num processo mutável e evolutivo ao longo do tempo.

Entre os elementos a planear, encontram-se os espaços agrícolas, com pomares e hortas orgânicas – agro floresta (Food forest), espaços florestais, caminhos viários, barragens e charcas, tratamento ecológico de aguas negras e cinzentas, compostagem, apicultura e pecuária seguindo os princípios da gestão holística de gado (holistic management)

A gestão da biomassa através de um plano de Defesa da Floresta Contra Incêndios (D.F.C.I) é um do pontos essenciais para o sucesso deste projecto e aumento da qualidade de vida das pessoas que por ele passam ou residem, quer pela privacidade, protecção aos ventos e eventuais incêndios, quer pela mitigação da erosão e seca. De igual importância devem ser desenhadas zonas de usos e fluxos que estejam correctamente dimensionadas, para que as áreas de produção ou repouso ecológico sejam salvaguardadas.

 

SINGULARIDADES

Muitas condicionantes legais, devido á sua localização no Cabo Espichel, zona muito protegida;

Zona considerada de alta perigosidade de incêndios;

Devido à sua extensa área, a propriedade apresenta as mais diversas morfologias, com variações altimétricas entre 50m e 152m, vales mais ou menos profundos, formados por ribeiras de regimes temporários e declives que vão do suaves ao acentuado;

A nível de vegetação a propriedade apresenta um leque de comunidades vegetais, bastante variado, sendo algumas delas protegidas por lei:
– Matos termomediterrânicos pré-desérticos – Habitat 5330 (Protecção – Dec-lei nº140/99, de 24 de Abril) – Matagais e matos meso-xerófilos mediterrânicos dominados por microfanerófitos e/ou mesofanerófitos
– Prados secos seminaturais e facies arbustivas em substrato calcário (Festuco-Brometalia) (Importantes habitats de orquídeas) – Habitat 6210 (Protecção -Dec-lei nº 140/99, de 24 de Abril) – Arrelvados vivazes calcícolas e xerófilos, frequentemente ricos em orquídeas.
– Comunidades de Pinus pinea (Pinheiro manso) disperso;
– Comunidades de Pinus pinaster (Pinheiro bravo);
– Galerias ripícolas associadas aos troços principais das linhas de água;

Existem problemas de erosão na propriedade derivados de vários factores:
– Anos de abandono e más praticas de gestão da paisagem;
– Relevos acentuados;
– Solos de fácil fracturação e mobilidade (ex. Solo arenosos e argilosos);
– Chuvas em regimes torrenciais;
– Ventos dominantes fortes;
– Falta de protecção dos solos através de vegetação;
– Vegetação em estágio de sucessão regressivo ou intermédio;

 

https://etosoto.com

 

 

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