Planeamento Estrutural – Vale do Junco, Odemira

TIPOLOGIA

Planeamento Estrutural Regenerativo

Vale do Junco
Regeneração ecológica, hidratação da paisagem, gestão florestal e fruticultura mista

  • Local: São Luis, Odemira
  • Cliente: Privado
  • Data: 2017-2018
  • Extensão: 54 Ha.
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL
A propriedade insere-se na paisagem rural da freguesia de São Luís, Concelho de Odemira e ocupa uma área com cerca de 58,5ha entre os 50 e os 112m de altitude, dividida entre três parcelas às quais atribuímos as letras A, B e C. A parcelas A e B, com respectivamente 14,6ha e 25,2ha, são propriedade do promotor do projecto e a parcela C, com cerca de 15,7ha pertence a outro proprietário.
No entanto, o estudo aqui apresentado incide sobre as parcelas B e C pois uma vez que a parcela C engloba a cabeceira da bacia hidrográfica haveria vantagens em inclui-la no planeamento (uma vez que existe a possibilidade de compra futura desta parcela de terreno). A parcela A, apesar de pertencer ao promotor será deixada, a pedido do mesmo, como área de regeneração natural (zona 5).
A morfologia do terreno é caracterizada por um vale bastante aberto com encostas de declive relativamente acentuado que podem atingir os 35% de inclinação e na proximidade da ribeira apresenta uma zona de várzea predominantemente plana.A existência de um vale para onde se encaminha toda a água dentro da propriedade oferece uma óptima oportunidade de gestão da hidrologia ao nível da criação de barragens de retenção de água com cisternas nos pontos mais altos para fornecimento de água por gravidade.

Ao nível da vegetação existente, esta varia conforme a inclinação e orientação das encostas, sendo que, na parcela B nas encostas voltadas a norte/noroeste predominam os sobreiros, outros carvalhos (como o Quercus rotundifolia, o Quercus faginea e o Quercus pyrenaica), medronheiros (Arbutus unedo) e zambujeiros (Olea europaea var. Sylvestris) e nas encostas voltadas a sul/sudeste apesar da vegetação ser bastante esparsa predominam as urzes (como a Erica arborea), as estevas e alguns sobreiros e zambujeiros. Na parcela C, apesar da vegetação que ocorre naturalmente ser bastante semelhante é de destacar a existência de uma cultura de eucalipto plantada numa parcela de terreno que ocupa uma área de cerca de 6,5ha e uma pequena área de pinheiro com cerca de 0,8ha.

A propriedade encontra-se numa área caracterizada por clima temperado mediterrânico, com influência Atlântica, com Verão seco e suave e com precipitação média anual entre os 600 e os 800mm que se concentra entre os meses de Novembro a Abril, apresentando um carácter torrencial típico das áreas mediterrânicas, com ventos dominantes dos quadrantes Noroeste e Sudoeste.

A bacia hidrográfica que colecta água encaminhando-a para as zonas de armazenamento corresponde à área da propriedade, ou seja, de cerca de 44ha (ver Figura 4), no entanto, a água que efectivamente é captada nas barragens na propriedade vai depender de vários factores como o índice de infiltração, o tipo de solos e a vegetação existente.

 

OBJECTIVOS DO PLANEAMENTO

Esta proposta de planeamento visou fornecer as orientações para o estabelecimento e desenvolvimento de uma quinta auto suficiente e ecologicamente regenerativa, onde se pretende criar, produzir e viver de forma sustentável e autónomo: a nível de energia, alimento, e gestão de recursos naturais.

Entre os objectivos, está a implementação de sistemas regenerativos de produção florestal, frutícola e hortícola, passando pela apicultura e pelo cultivo semi selvagem de cogumelos silvestres, num  “framework” de hidratação da paisagem. O cliente pretende desenvolver um projecto ecológico que resgate a propriedade do actual estado de degradação e colapso ambiental, sem contudo descurar a viabilidade económica.

Assim sendo, este projecto vem articular o design ecológico e regenerativo com sistemas de produção agricola e florestal.

Entre os elementos e actividades a planear:
– Sistema de hidratação da paisagem, keyline, charcas, represas, sebes florestais de proteção;
– Rede de acessos/caminhos, sistema de regadio, cisternas;
– Zonas de agricultura e fruticultura de baixa manutenção e alto retorno, enquadramento em nichos “gourmet”;
– Especial foco no planeamento a curto prazo da zona da habitação “mãe”, com sistema de fito depuração, colecta e armazenamento de água, sistema de abastecimento Nora-Cisterna-Casa, e energia fotovoltaica;
– Articulação com a Rota Vicentina, no design da secção desta via que passa na propriedade;
– Articulação em equipa com a arquitectura, para integrar a casa no meio envolvente;
– Zona 5: é desejo do proprietário que a zona de cerca de 15Ha no extremo Oeste seja preservada sem intervenções de fundo, para “buffer” ecológico;

 

 

SINGULARIDADES

A propriedade em estudo é uma pequena bacia hidrográfica, e apresenta excelentes condições para planeamento hidrológico;

Propriedade muito equilibrada a nivel morfológico;

Existência de bosque muito denso na encosta virada a norte, e um poço a aparentemente beneficiado pelo mesmo;

Na propriedade existe um planalto muito interessante no contexto de gestão holística de gado;

Enorme potencial produtivo nas várzeas da ribeira;

 

 

 

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