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Intervenções de emergência em áreas ardidas – Infograma

Este folheto pretende orientar o leitor, de forma prática, em como intervir em paisagens ardidas com vista a mitigar as consequências negativas da passagem do fogo, e à regeneração ecológica.

É apresentado de forma simples e ilustrativa e detalha estratégias e técnicas para:

  • Moldar a paisagem;
  • Controlar a erosão;
  • Gerir a matéria orgânica;
  • Implementar a base de um sistema perene, mais resiliente.

Faz clic na imagem para a ampliar.

O folheto também está disponível para download em versão .pdf para impressão (A3).

 

 

Os livros da Fernanda Botelho chegaram à Terracrua!

Os livros da Fernanda Botelho não são apenas guias práticos sobre a flora Mediterrânica e as suas propriedades medicinais ou os seus constituintes químicos: são uma imersão no universo magnífico das plantas, e uma introdução à subtileza do mundo natural.

A Fernanda transporta-nos sempre numa viagem que começa na culinária ou na terapêutica natural, até às curiosidades botânicas, passando pelo o impacto cultural das plantas, nos homens e mulheres de Portugal.

*Texto de introdução inspirado de prefácios e criticas nos livros da F. Botelho.

Os seus livros estão disponíveis para venda na sede da Terracrua, em Loulé.

Contacta-nos através do e-mail: melanie.santos@terracrua.org ou por telefone 289 416 143.

 

Hidratação da paisagem

No seguimento do precedente artigo sobre os solos, continuamos, no mesmo contexto, esta vez na óptica da hidratação da paisagem. Esta, por ser um parâmetro interligado com outros factores, requer um planeamento adequado afins de minimizar despesas energéticas, financeiras e fomentar um ciclo hidrológico equilibrado.
Iremos prevenir incêndios, apoiar produções agrícolas, ou abastecer o uso doméstico e melhorar o equilíbrio paisagístico e ecológico.

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Quando falamos de (re)hidratar a paisagem, no fundo, entendemos criar paisagens que, no futuro, se hidratem “sozinhas”; Isto passa pela concepção, o planeamento de movimentações de terra, edificações e infraestruturas de base, no âmbito de criar um ecossistema o mais autónomo possível.

Em prioridade ao estabelecimento de qualquer projecto, o design hídrico, ou seja o planeamento da gestão da água/das precipitações baseado num simples estudo da hidrologia do local, é um dos primeiros elementos a contemplar e implementar.

O que se faz geralmente, sistematicamente, é dirigir a água de chuva para fora do terreno, da forma mais rápida possível. Em paralelo, consome-se água da rede, ou de furos.

A nossa abordagem é diferente, e até quase oposta, criaremos modelos e sistemas de recolha dessas águas, porque é um recurso renovável, porque deixamos de pagar essa água e por fim, porque a água proveniente de furos em aquíferos, não é propriamente renovável, há de acabar um dia, uma vez que cada vez menos água se infiltra nos solos, como explicado no artigo anterior.

Assim, os obbjectivos de base para a gestão da água são simples :

TRAVAR E REDUZIR A VELOCIDADE

CAPTAR E ARMAZENAR

ESPALHAR E INFILTRAR

INTERVENÇÕES DE TERRENOTravar e reduzir a velocidade, captar e dirigir.
O objectivo subjacente a qualquer intervenção de terreno, deve ir no sentido da criação de alianças entre a topografia e os ciclos e dinâmica hidrológica.

Para a construção de ESTRADAS E ACESSOS : devem ser determinadas de maneira a coincidir com a topografia, por um lado, e para tornarem-se multi-funcionais por outro lado. Alinhar estradas com a topografia e de forma a interligarem-se com pontos de recolha das escorrências superficiais, é possível ser feito com um esforço mínimo. Desse modo, armazenamos a água ao mesmo tempo que a conduzimos para fora da estrada, reduzindo os danos viários causados pelas chuvas.

No caso das TERRAÇAS agrícolas : idealmente, para maximizar a infiltração da água (chuva ou rega), para além da gestão da biomassa, a sua implementação deve seguir um desenho onde a inclinação (interna) será relativa à questão das escorrências superficiais, esta, baseada no sistema key-line, adaptado ao caso das terraças, dirigindo mais uma vez a água para pontos de armazenamento.

No caso das zonas de PRODUÇÃO agrícolas, pecuárias e florestais, como nas zonas menos utilizadas da propriedade : adaptar as plantações ao terreno, não o contrário, fomentar ou escolher igualmente plantações herbáceas que agilizam a permeabilidade do solo e a sua estrutura, e que beneficiem as produções.


GESTÃO DO SOLO E DA BIOMASSAEspalhar e infiltrar. 
Tudo se transforma.

Diversas acções e técnicas de GESTÃO DOS SOLOS AGRÍCOLAS favorecem ou não a estrutura do solo. Por norma, iremos evitar lavouras, contudo, os trabalhos de tractor são muitas vezes úteis e relevantes, enquanto transição ou numa óptica de aceleração dos processos de regeneração ecológica, na medida em que a acção de lavoura serve de meio para implementação de sementeiras de plantas herbáceas específicas, que serão escolhidas em função das características das suas raízes, estruturadoras para o solo, fixadoras de azoto, permitindo cobertura do solo, maximização da taxa de infiltração, e produção de biomassa.

 As raízes densas e finas de certas plantas herbáceas agem como estruturadoras de solo, mas não só. A sua capacidade de armazenamento da água (esponja) é também essencial, e, por mais admirável, é multiplicada quando podada (na altura certa).

As raízes densas e finas de certas plantas herbáceas agem como estruturadoras de solo, mas não só. A sua capacidade de armazenamento da água (esponja) é também essencial, e, por mais admirável, é multiplicada quando podada (na altura certa).

A biomassa vegetal age ainda como:
-Esponja
-Fertilizante (fonte de nutrientes)
-Estruturadora de solo pelas suas características mecânicas;

Quanto à gestão dessa BIOMASSA produzida, trata-se de acelerar a “sucessão natural”. O truque, é que nem sempre a restauração de ecossistemas equilibrados passa pela plantação de árvores. Herbáceas, arbustos, trepadeiras,… produzem imensa biomassa, e o seu corte bem sequenciado favorece a produção de raízes mais profundas. Deixando a biomassa no local (corticai ou chop and drop), esta vai servir de mulch (cobertura de solo) antes de servir de adubo verde para a vegetação existente, seja ela de ornamento, selvagem ou agrícola.


Todas estas medidas servem o propósito de tornar os solos mais permeáveis à água, de reterem mais e durante mais tempo a humidade, e, no caso das técnicas de condução da água via valas inclinadas ao longo das estradas e dos terraços agrícolas, que são as nossas estrelas, de criar

Pontos de água multi-funcionais que servem para  :

1.Manutenção per se ou espontânea das estradas;

2. Armazenamento;

3. Abastecimento de culturas a justante;

4. Infiltração progressiva da água (ou não, de pendendo dos objectivos) no local;

5. Benefício para a flora selvagem;

6. Zona de banhos e recreação

7. etc,.

 

Neste artigo não iremos detalhar métodos de GESTÃO DO GADO no âmbito da hidratação da paisagem, embora seja um temática que nos é cara. Iremos aprofundar o tema posteriormente, fique atento!

O que é a Permacultura?

“O que os permacultores estão a fazer é a actividade mais importante que nenhum outro grupo está a fazer neste planeta.
Não sabemos quais irão ser os pormenores de um futuro verdadeiramente sustentável, mas necessitamos de opções, necessitamos de pessoas a experimentar todos os tipos de formas e os permacultores são um grupo crucial que o está a fazer.” Dr. David Suzuki

Permacultura é por um lado uma filosofia de vida com um conjunto de éticas e principios, e por outro, uma lógica inteligente e ferramentas que nos permitem desenhar ou redesenhar qualquer sistema humano (quintas, aldeias, etc) e não deixa também de ser uma compilação de técnicas e práticas (por vezes muito simples) recolhidas por todo o mundo, muitas vezes em paises ditos “3º mundistas”. Técnicas estas que permitiram a muitos povos sobreviver em locais com escassos recursos, como água ou vegetação.

 

Sob condições adversas, o engenho humano desenvolveu técnicas para cultivar em desertos, recolher águas da chuva, reduzir a quantidade de lenha para aquecimento, expandir florestas, aproveitar os recursos existentes, mas salvaguardando sempre as necessidades das gerações futuras, lógica que nos permitiu estar aqui hoje. De facto, a lógica predominante actual não vai permitir a vida futura a milhões de humanos e a toda a vida terrestre. Há que mudar, a partir de dentro, e começar a curar a terra, por todas as razões do mundo.

A raiz do problema pode ser, mais do que os governos ou as corporações, a nossa cultura. Uma cultura é uma história que contamos a nós próprios e ás nossas crianças. Actualmente, a nossa cultura diz-nos que o planeta está á nossa disposição para dele tirarmos e pilharmos á vontade. A Permacultura conta-nos que tudo está ligado, o peixe ao rio, á chuva, ao carvalho, á coruja, ás raposas, ao musgo; quando beneficiamos um, beneficiamos todos, e quando prejudicamos um, prejudicamos tudo e todos.

Podemos afirmar que, com todas as “ferramentas” que nos dá a Permacultura, podemos “desenhar” ou organizar um espaço como uma quinta, aldeia ou até poligono industrial, de forma a melhorar o desempenho de todos os elementos, poupando energia e fechando os ciclos, porque e afinal de contas, poluição é no fundo, energia no local errado.

É uma filosofia positiva, e ninguém fica indiferente quando frequenta um curso de design em Permacultura. São técnicas muito simples, que capacitam-nos com ferramentas e conhecimento para nos tornarmos cada vez mais auto suficientes, e felizes.

Cuidar da terra, porque temos de parar de maltratar a terra mãe e assumir uma existência mais positiva;

Cuidar das pessoas, porque pessoas felizes e realizadas cuidam bem do planeta e dos seus semelhantes;

Partilhar os excedentes e limitar o consumo, porque simplesmente não precisamos da maior parte do que temos ou adquirimos.”

 

NMS

Vila do Bispo, 8Ha – Projecto familiar de agrofloresta, pomares mistos e keyline

Com uma topografia desafiante, este projecto visa a instalação de pomares mistos e a transformação dos excedentes para retorno económico a médio prazo.

Entre os objectivos principais deste projecto, está a instalação de um sistema produtivo ecológico e auto suficiente que permita a subsistência, abundância e qualidade de vida dos habitantes.

O design hídrico é uma das frentes do planeamento, sendo extremamente necessário, considerando o avanço da erosão e a perda de solos nas zonas com mais declive. As estradas são alinhadas com os pontos chave a hidratar, como charcas, e sempre que possível, em keyline, ou seja, a hidratação das cumeadas secundarias.

Zonas terraçadas vão ser criadas, de forma a possibilitar a instalação de pomares com baixa manutenção e sistematizados.

Pomares mistos, com diversidade de espécies, extratos, variedades, floração e frutificação estão a ser planeados, com vista á diversidade de alimento humano, animal e nutrição para o solo.

Sebes protectoras de vento, privacidade e incêndios, zonas de floresta santuário, zonas de produção florestal, são outros dos elementos necessários e incluidos neste projecto, que contempla o inicio da implementação para a primavera de 2017.

 

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