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Os livros da Fernanda Botelho chegaram à Terracrua!

Os livros da Fernanda Botelho não são apenas guias práticos sobre a flora Mediterrânica e as suas propriedades medicinais ou os seus constituintes químicos: são uma imersão no universo magnífico das plantas, e uma introdução à subtileza do mundo natural.

A Fernanda transporta-nos sempre numa viagem que começa na culinária ou na terapêutica natural, até às curiosidades botânicas, passando pelo o impacto cultural das plantas, nos homens e mulheres de Portugal.

*Texto de introdução inspirado de prefácios e criticas nos livros da F. Botelho.

Os seus livros estão disponíveis para venda na sede da Terracrua, em Loulé.

Contacta-nos através do e-mail: melanie.santos@terracrua.org ou por telefone 289 416 143.

 

Dia aberto Terracrua, sessões grátis de planeamento!

Todos os meses oferecemos sessões gratuitas de planeamento ecológico, para nos dar a conhecer e aos nossos métodos de design.

Durante estes dias temos disponibilidade para 5 sessões de 1 hora cada.

Iremos reunir em volta do vosso projecto e dar-vos uma ideia de como o planeamento (Design) de Permacultura pode ajudar a desenvolver ideias iniciais e pistas, num projecto eficiente e abundante, tanto a nível económico, como ecológico !

Próximas datas:

  • Outubro2017 – Dias 10 e 24
  • Novembro2017 – Dias 7 e 21
  • Dezembro2017 – Dias 5 e 19
  • Janeiro2018 – Dias 9 e 23
  • Fevereiro2018 – Dias 6 e 20
  • Março2018 – Dias 6 e 20

 

O evento é grátis, mas a inscrição é obrigatória através deste formulário:

 

Projecto pós fogo – linhas orientadoras para 3 quintas afectadas pelos incêndios de Junho de 2017

Este documento surge da necessidade de um planeamento para as propriedades afectadas pelos fogos florestais ocorridos no inicio de Junho de 2017 nos concelhos de Castanheira de Pêra, Figueiró dos vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Sertã.

Este incêndio é até ao momento o maior fogo florestal ocorrido em Portugal, tendo afectado cerca de 53.000 hectares (ICNF 19/06/2017) na sua maioria áreas de produção de eucalipto e pinheiro bravo mas também afectou com elevados prejuízos perda de vidas humanas, habitações, bens materiais e ecológicos.
Agora, com grandes áreas de paisagem ardida (tanto privada como publica) urge minimizar os futuros impactos do incêndio sendo o mais preocupante a erosão dos solos, e pensar em como se pode planear e regenerar esta paisagem numa mais resiliente, produtiva, socialmente justa e ecologicamente bio diversa.
A empresa Terracrua – Paisagem Prometida Uni., Lda, a convite, propõe planeamento estrutural para três propriedades privadas afectadas pelo fogo. Tratam-se de quintas vocacionadas para a auto suficiência alimentar, dedicando-se em escala familiar á horticultura, agrofloresta e pastoricia.
Assim este documento propõe linhas orientadoras para acção em paisagens afectadas por fogos florestais e a sua posterior gestão (fomentando a prevenção e manutenção florestal sem comprometer os ecossistemas) e um planeamento estrutural das áreas propostas (acessos, sebes, agua na paisagem, áreas de produção (florestal agrícola) e rede de infraestruturas).
Este documento quer-se simples, intuitivo e de fácil leitura, servindo como padrão de actuação sobre qualquer propriedade que tenha sofrido um incêndio ou que queira prevenir-se.

Ficheiro *.pdf: Terracrua 2017 Projecto

Link: Blog Projecto Pg01

Link: Blog Projecto Pg02

Link: Blog Projecto Pg03

O que são as Zonas 5?

Zona 5, o ” buffer” ecológico:

 

Em permacultura é fundamental o conceito de zoneamento ou sectores. O zoneamento pode variar de acordo com as necessidades de cada pessoa ou projecto.

Por norma a Zona 5 é uma área mais selvagem e a sua principal característica é a conservação e regeneração ecológicas; nesta zona pouca ou quase nenhuma intervenção é feita. É uma boa boa zona de observação e aprendizagem,  de como o ecossistema funciona por si só.

Num contexto de gestão florestal, a zona 5 é deixada crescer, cumprindo várias funções de estabilidade e diversidade ecológica, assim como maximiza a infiltração de chuva nas zonas altas florestadas.

A zona 5 começa a ser vista como potencial aliada para actividades como caça, floresta, turismo, pedagogia e restauro ecológico.

Por norma, no contexto de um projecto regenerativo, a zona 5 é uma encarada como uma forma de matriz/padrão obrigatório em cada propriedade, mas adaptada ao contexto e circunstancias presentes no momento.

1- As cumeadas, captar água com floresta:

São zonas de salvaguarda ecológica, com florestação recorrendo a espécies de diferentes estratos, tais como (entre muitas outras):

  • Acer spp.;
  • Arbutus unedo;
  • Betula spp.;
  • Craetagus monogyna;
  • Erica spp;
  • Juniperus oxycedrus;
  • Lonicera implexa;
  • Myrtus communis;
    • Pinus pinea;
    • Pistacia lentiscus;
    • Pyrus pyraster;
    • Quercus coccifera;
    • Quercus faginea;
    • Quercus lusitanica;
    • Quercus suber;
    • Thymus spp;

Esta floresta de cumeada, aumenta a resiliência face a catástrofes naturais, ao mesmo tempo que assegura a hidratação da paisagem.

Esta é a floresta que fixa água, pois torna-se com o tempo, numa autêntica esponja para a água da chuva. Aqui, infiltra-se chuva, hidrata-se os solos e recarrega-se aquíferos. Outra característica, igualmente importante desta zona, é o facto destas florestas aumentarem, consideravelmente a precipitação local por meio de captura dos nevoeiros de Noroeste e Sudoeste, também designado de chuva orográfica.

2-  As ribeiras e as bacias primárias, segurar a água:

Sejam permanentes ou sazonais, procede-se à reflorestação das galerias ripícolas, restabelecendo-se de novo as funções ecológicas e para que sirvam de corredores ecológicos para a biodiversidade local.

Depois de estabelecidas as zonas 5 e galerias ripícolas, estas tornam-se autênticas corredores de vida aumentando consideravelmente a humidade no local.

Entre muitas outras, eis algumas das espécies, de diferentes estratos, a introduzir nas linhas de água e bacias hidrográficas primárias:

  • Populus spp.;
  • Salix spp.;
  • Alnus glutinosa;
  • Fraxinus angustifolia;
  • Tamarix africana;
  • Sambucus nigra;
  • Ulmus spp.;
  • Laurus nobilis;

Nestas ribeiras deve-se planear a implementação de charcas temporárias, sequenciadas vale após vale, e alinhadas em contorno sempre que possível.

3- Corredores verdes permanentes, regeneração em rede:

De pouco ou nada serve haver zonas de salvaguarda ecológica, se não tiverem acesso/comunicação entre si: É fundamental interligar os diferentes elementos da zona 5 numa rede, para potenciar ao máximo as suas funções.

Os corredores verdes são faixas de floresta permanente que ligam vale após vale, as zonas ripícolas. devem ter uma largura mínima de 15m, e dispostas em contorno/curva de nível.

Estas faixas têm ainda importantes funções no contexto das actividades humanas, como corta vento, retardante de fogo, proteção á erosão, protecção de avalanches/deslizamentos/enxurradas, entre muitas outras.

 

Dentro desta “matriz” permanente, encaixamos então as actividades humanas essenciais ás populações rurais, nomeadamente a gestão florestal, através de “mosaicos” mistos articulados no espaço e no tempo; tudo assente num “framework” de hidratação da paisagem.