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Prados permanentes?

Prados permanentes

Terrenos ocupados com forrageiras herbáceas, quer semeadas quer espontâneas, por período igual ou superior a cinco anos e que não estejam incluídas no sistema de rotação da exploração. Este tipo de cultura promove a protecção e melhoria do solo, o seu papel no ciclo da água, a fixação biológica de azoto e o sequestro de CO2.

Estes prados devem ser implementados como estratégia (entre outras) de hidratação da paisagem, e com vista ao coberto permanente dos solos. Podem ocupar as terras nas entrelinhas dos pomares ou sistemas florestais e agro florestais, e assim integrar outras actividades como apicultura ou pecuária em áreas até então dominadas por “ervas” indesejadas.

– A melhor forma de nos livrarmos de espécies indesejadas parece realmente ser a substituição por outras espécies, que preencham os estratos ocupados pelas primeiras. A manutenção também baixa drasticamente, ao “domarmos” espaços ocupados por espécies rústicas, e transformá-los em prados de herbáceas e gramineas que oferecem muito menos resistência ao corte manual, por exemplo.

A conversão do “mato” existente, consideravelmente lenhoso e combustível, para um prado de gramíneas anuais, deve ser acompanhado de um plano regenerativo de implementação e gestão, como por exemplo neste cronograma, de um projecto perto de Setúbal:

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Tabela cronograma de gestão dos solos

A sequência correcta, no âmbito de um projecto regenerativo, deve ser:

  • Escolha das datas certas, considerando o calendário lunar, a época de chuvas e a escolha assertiva dos meios mecânicos ou manuais;
  • Sementeira directa, de mistura de leguminosas (vários estratos), 150kg/ha, durante o 1º ano de intervenção;
  • Corte do “mato” existente, e deposição no solo, de forma a cobrir a semente espalhada;
  • Reforço da sementeira com leguminosas;
  • 1º corte, após crescimento geral de cerca de 30cm de altura;
  • Introdução de mistura apropriada de gramíneas e herbáceas variadas e enriquecedoras de solo;
  • Introdução de gado para maneio e  controle da biomassa, de forma a não comprometer o crescimento do prado;

A este coberto verde, assiste os processos de enriquecimento e crescimento de solo, ao mesmo tempo que beneficia o ecossistema com a sombra e retenção da humidade. Assim que se iniciam os cortes, inicia-se também a adição de biomassa aos solos. A matéria orgânica nos solos equivale a retenção de água da chuva e consequentemente a hidratação da paisagem e resiliência face aos incêndios florestais.

Um solo enriquecido, fértil e equilibrado é mais resistente a pragas, sejam elas de  insectos ou fungos.

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Regeneração de prado em processo (2 meses após sementeira)

Hidratação da paisagem

No seguimento do precedente artigo sobre os solos, continuamos, no mesmo contexto, esta vez na óptica da hidratação da paisagem. Esta, por ser um parâmetro interligado com outros factores, requer um planeamento adequado afins de minimizar despesas energéticas, financeiras e fomentar um ciclo hidrológico equilibrado.
Iremos prevenir incêndios, apoiar produções agrícolas, ou abastecer o uso doméstico e melhorar o equilíbrio paisagístico e ecológico.

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Quando falamos de (re)hidratar a paisagem, no fundo, entendemos criar paisagens que, no futuro, se hidratem “sozinhas”; Isto passa pela concepção, o planeamento de movimentações de terra, edificações e infraestruturas de base, no âmbito de criar um ecossistema o mais autónomo possível.

Em prioridade ao estabelecimento de qualquer projecto, o design hídrico, ou seja o planeamento da gestão da água/das precipitações baseado num simples estudo da hidrologia do local, é um dos primeiros elementos a contemplar e implementar.

O que se faz geralmente, sistematicamente, é dirigir a água de chuva para fora do terreno, da forma mais rápida possível. Em paralelo, consome-se água da rede, ou de furos.

A nossa abordagem é diferente, e até quase oposta, criaremos modelos e sistemas de recolha dessas águas, porque é um recurso renovável, porque deixamos de pagar essa água e por fim, porque a água proveniente de furos em aquíferos, não é propriamente renovável, há de acabar um dia, uma vez que cada vez menos água se infiltra nos solos, como explicado no artigo anterior.

Assim, os obbjectivos de base para a gestão da água são simples :

TRAVAR E REDUZIR A VELOCIDADE

CAPTAR E ARMAZENAR

ESPALHAR E INFILTRAR

INTERVENÇÕES DE TERRENOTravar e reduzir a velocidade, captar e dirigir.
O objectivo subjacente a qualquer intervenção de terreno, deve ir no sentido da criação de alianças entre a topografia e os ciclos e dinâmica hidrológica.

Para a construção de ESTRADAS E ACESSOS : devem ser determinadas de maneira a coincidir com a topografia, por um lado, e para tornarem-se multi-funcionais por outro lado. Alinhar estradas com a topografia e de forma a interligarem-se com pontos de recolha das escorrências superficiais, é possível ser feito com um esforço mínimo. Desse modo, armazenamos a água ao mesmo tempo que a conduzimos para fora da estrada, reduzindo os danos viários causados pelas chuvas.

No caso das TERRAÇAS agrícolas : idealmente, para maximizar a infiltração da água (chuva ou rega), para além da gestão da biomassa, a sua implementação deve seguir um desenho onde a inclinação (interna) será relativa à questão das escorrências superficiais, esta, baseada no sistema key-line, adaptado ao caso das terraças, dirigindo mais uma vez a água para pontos de armazenamento.

No caso das zonas de PRODUÇÃO agrícolas, pecuárias e florestais, como nas zonas menos utilizadas da propriedade : adaptar as plantações ao terreno, não o contrário, fomentar ou escolher igualmente plantações herbáceas que agilizam a permeabilidade do solo e a sua estrutura, e que beneficiem as produções.


GESTÃO DO SOLO E DA BIOMASSAEspalhar e infiltrar. 
Tudo se transforma.

Diversas acções e técnicas de GESTÃO DOS SOLOS AGRÍCOLAS favorecem ou não a estrutura do solo. Por norma, iremos evitar lavouras, contudo, os trabalhos de tractor são muitas vezes úteis e relevantes, enquanto transição ou numa óptica de aceleração dos processos de regeneração ecológica, na medida em que a acção de lavoura serve de meio para implementação de sementeiras de plantas herbáceas específicas, que serão escolhidas em função das características das suas raízes, estruturadoras para o solo, fixadoras de azoto, permitindo cobertura do solo, maximização da taxa de infiltração, e produção de biomassa.

 As raízes densas e finas de certas plantas herbáceas agem como estruturadoras de solo, mas não só. A sua capacidade de armazenamento da água (esponja) é também essencial, e, por mais admirável, é multiplicada quando podada (na altura certa).

As raízes densas e finas de certas plantas herbáceas agem como estruturadoras de solo, mas não só. A sua capacidade de armazenamento da água (esponja) é também essencial, e, por mais admirável, é multiplicada quando podada (na altura certa).

A biomassa vegetal age ainda como:
-Esponja
-Fertilizante (fonte de nutrientes)
-Estruturadora de solo pelas suas características mecânicas;

Quanto à gestão dessa BIOMASSA produzida, trata-se de acelerar a “sucessão natural”. O truque, é que nem sempre a restauração de ecossistemas equilibrados passa pela plantação de árvores. Herbáceas, arbustos, trepadeiras,… produzem imensa biomassa, e o seu corte bem sequenciado favorece a produção de raízes mais profundas. Deixando a biomassa no local (corticai ou chop and drop), esta vai servir de mulch (cobertura de solo) antes de servir de adubo verde para a vegetação existente, seja ela de ornamento, selvagem ou agrícola.


Todas estas medidas servem o propósito de tornar os solos mais permeáveis à água, de reterem mais e durante mais tempo a humidade, e, no caso das técnicas de condução da água via valas inclinadas ao longo das estradas e dos terraços agrícolas, que são as nossas estrelas, de criar

Pontos de água multi-funcionais que servem para  :

1.Manutenção per se ou espontânea das estradas;

2. Armazenamento;

3. Abastecimento de culturas a justante;

4. Infiltração progressiva da água (ou não, de pendendo dos objectivos) no local;

5. Benefício para a flora selvagem;

6. Zona de banhos e recreação

7. etc,.

 

Neste artigo não iremos detalhar métodos de GESTÃO DO GADO no âmbito da hidratação da paisagem, embora seja um temática que nos é cara. Iremos aprofundar o tema posteriormente, fique atento!

Gestão Holística do gado e dos pastos

A Gestão Holística do gado e dos pastos é a forma mais eficaz de resolver problemas tais como:

– Compactação dos solos;
– Exaustão dos solos;
– Desertificação e erosão agravada;
– Seca e mortalidade vegetativa;
– Dependência de rações;
– Poluição e nitrificação;
– Dominio da paisagem por “invasivas”;

A gestão holística é um sistema que foi originalmente desenvolvido por Allan Savory, e baseado no estudo das migrações dos grandes rebanhos selvagens Africanos.

Um sistema assim tem sérias vantagens:

– Hidratação da paisagem;
– “Construção” exponencial de solos;
– Mitigação da erosão;
– Maior autonomia a nivel de alimentação para o gado;
– Aumento da biodiversidade;
– Aumento da “caça”;
– Estruturação dos solos;
– Diversificação das produções;
– Aumento geral do vigor vegetativo;
– Entre tantas outras vantagens…

É uma forma diferente de olhar para os recursos e gerir a produção, numa óptica de constante regeneração ecológica. Fazendo rotações rápidas de gado de forma sequenciada, (por ex. vacas, ovelhas, galinhas), consegue-se uma pronta recuperação dos pastos, e os estrumes das diferentes espécies complementam-se e fertilizam os solos.

É particularmente interessante para proprietários de Herdades e propriedades com mais de 20ha, nomeadamente para os Montados Alentejanos.

Fica aqui a sugestão: se tem uma propriedade de montado com mais de 20ha, terras com pouco declive, que a produção de cortiça está ameaçada pelo Phytophthora, contemple implementar um sistema de gestão ecológica, com base no design keyline e na gestão holistica do gado.

Regeneração de pastos e prados

Idealmente, não lavramos, contudo os trabalhos de tractor são muitas vezes úteis e relevantes, enquanto transição ou numa óptica de aceleração dos processos de regeneração ecológica.

Resumidamente, defendemos a ideia de que qualquer trabalho de movimentação de terras, agrícola ou estruturais, devem ser procedidos ou precedidos de sementeira directa ou fresada, de leguminosas ou outras espécies que ajudem a regenerar rapidamente a área intervencionada.

Habitualmente, os agricultores Portugueses tendem a fazer lavras, gradagens e fresagens de manutenção (para controlo de ervas indesejadas e aumento da infiltração da chuva); Basta adicionar a esta acção a sementeira de leguminosas ou prados permanentes para tornar todo o sistema mais ecológico.

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Antes e depois.

Nestas duas fotos podemos ver o terreno antes e depois de uma sementeira de leguminosas, em transição para prado florido e biodiverso.

Fica o apontamento de que este prado sofreu com falta de chuva no inverno e com o frio (pelo tardio que foi a sementeira), mas contudo vingou este março/abril, com a habitual vivacidade primaveril.
Mesmo num mau cenário, estas sementeiras são uma opção a considerar como parte da manutenção de qualquer espaço rural.

As áreas menos utilizadas das nossas propriedades, devem ter um coberto permanente vivo, para proteger o solo do sol, manter humidade e vida nos solos, para aumentar a infiltração da chuva e mitigar erosão,

 

Santa Bárbara de Nexe, 6,5HA – Projecto de regeneraçao de olival em modo de produção biológico

A propriedade que tem cerca de 6,5ha, está localizada entre 138 e 154 metros acima do nível do mar, ligeiramente a Nordeste de Faro, nas encostas do Barrocal, zona portanto argilo-calcária e que usufrui de características únicas. Num clima mediterrânico, com uma pluviometria na ordem dos 500mm e ventos predominantes de NW e SE, onde as temperaturas médias, a exposição solar, a protecção dos ventos pela serra do barrocal, entre outras possibilitam a cultura de várias espécies subtropicais. Segundo os proprietários, o Olival encontra-se em conversão para modo de produção biológico e é lavrado regularmente, para combater as ervas daninhas e favorecer a infiltração das chuvas.

Havia já cerca de trezentas oliveiras no local, em plena produção, e em 2010 foram plantadas 1800 de variedade maçanilha, que ainda não produziram e que apresentam dificuldades de crescimento. Segundo a Eng. Agrónoma do projecto, o excesso de salinidade da água do furo será a raiz do problema.

Análise:

O terreno de um modo geral, encontra-se exposto aos principais vectores de erosão como chuva, sol e vento. Em alguns locais, rachas de tamanho considerável são observáveis, o que evidencia o nível de deterioração dos solos que se encontra compactado e com muito pouco coberto vegetal: a maioria das árvores, plantadas sem respeitar a topografia ainda não têm dimensão para proteger o solo da exposição solar. Esse “raquitismo vegetal” explica-se pela falta de qualidade e quantidade hídrica, consequência do padrão de plantação ignorando o contorno da paisagem, que vem criar uma rampa de erosão tornando as árvores dependentes da rega (sistema gota a gota existente, proveniente de água do furo, salinizada), a água da chuva não chegando a infiltrar-se, o que mantém as raízes das árvores a um nível muito superficial e em luta permanente pela água, em vez de concentrar a sua energia no seu desenvolvimento.

O Olival tem actualmente prejuízos devidos à mosca da azeitona (Bactrocera oleae) que é de momento combatida com a solução mineral de hidróxido de cal.

Planeamento:

A seguinte estratégia de recuperação ecológica para um contexto de olival em monocultura foi definida após observação e identificação dos desequilíbrios, e visa o restauro do equilíbrio do agrossistema, divide-se em três abordagens gerais:

1. Hidratação da paisagem.

2. Plano de regeneração via adubação verde.

3. Prado permanente e estratégia de luta biológica contra a praga Bactrocera oleae.

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Primeiros trabalhos de limpeza selectiva

Desbaste, podas e trituras.
Na maior parte dos projectos agrícolas actuais, a biomassa resultante de limpezas desbastes e cortes é frequentemente “exportada” pela facilidade e redução de custos. Na verdade, se fossemos a contabilizar o valor da biomassa na construção de solos e retenção de águas , ninguem o faria.
Assim, recomendamos sempre que se triture, e que se devolva a matéria aos solos, compostado, ou por compostar!

 

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