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PG02 – Planeamento de emergência pós fogo e design estrutural na Corga da Pereira, Pedrógão Grande

É na sequência do nosso trabalho pro bono para a zona afectada pelos grandes incêndios de Julho na zona de Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra e Góis, que desenvolvemos este projecto, para uma quinta familiar na zona de Mega Cimeira.

Como no precedente trabalho, esta é uma propriedade difícil devido ao acentuado declive, e que foi praticamente toda queimada. As estradas existentes fomentam a erosão hidrica, e está rodeada de plantações de eucalipto.

Neste momento, os proprietários preparam-se para intervir, só aguardam as linhas orientadoras que agora partilhamos.

Aqui estão um conjunto de ficheiros, que dão uma visão geral do que se pode e deve fazer, quer ao nível das intervenções pós fogo, quer a nível de criar uma estrutura permanente que mitiga a erosão e prepara o terreno para as plantações.

  1. Mapa de zoneamento e intervenções: Green_Family V2-Zoneamento
  2. Corte/perfil: Green_Family V2-Corte WEB com logo
  3. Cronograma de gestão dos solos e biomassa: Cronograma de intervenção pós incendios terracrua 2017
  4. Modelo de “gestão de combustivel” para zonas habitadas: Faixa de gestão de combustivel-Corte sem logo

Princípios a adoptar para a criação de paisagens resilientes

Princípios a adoptar para a criação de paisagens resilientes

 

Preparações de terreno:

  • Trabalhar sempre em contorno/curva de nível ou keyline;
  • Não utilizar maquinaria pesada nas linhas de água;
  • Nunca queimar matéria orgânica na limpeza dos terrenos;
  • Sempre que necessário controlar “mato”, triturar e deixar no solo (corticai);
  • Se possível auxiliar a decomposição, com inoculação de micélios apropriados;
  • Trabalhos mecanizados entre Setembro e Maio, mas evitando o excesso de humidade do solo;
  • Plantações entre Outubro e Abril;

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Figura 3 – Preparação de terreno: Terraças em contorno;

 

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Figura 4 – Plantações em valas de contorno ou Swales e protecção do solo com mulch;

Para a manutenção:

  • Controle de vegetação: é feito substituindo as espontâneas por espécies pertinentes do ponto de vista produtivo;
  • Uso de leguminosas perenes e anuais e outras plantas enriquecedoras de solo;
  • Corte de biomassa (“Chop and drop” ou corte e cai) e deposição no solo, sem gradagem;
  • Desbaste e rebrota: é feito anualmente, a partir do 2º ano após colheita/corte, no fim do inverno;
  • Inoculação com micélios adequados à decomposição dos resíduos florestais, como por exemplo Lentinula edodes (cogumelo shiitake), após o 4ºano, ou quando as circunstâncias o permitirem;
  • Gestão de resíduos de poda, desbaste e dos prados permanentes; Intimamente ligado ao aumento da fertilidade do solo e à hidratação da paisagem, todos os resíduos são triturados e deixados no solo.
  • A gestão adequada da biomassa é certamente a chave para a mitigação dos fogos, em simbiose com o aumento da fertilidade e quantidade de solos, assim como o aumento da infiltração da chuva e consequente hidratação da paisagem.3 

 

 

 

 

Figura 5  – 2 meses após limpeza de mato (tritura) com sementeira directa.



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Figura 6 – Inoculação de micélios para aceleração da decomposição

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Figura 7 – “Construção” de solos

 

Floresta mista, policultura e economia?

“A gestão e utilização das florestas e das áreas florestais, de um modo e a um ritmo que mantenham a sua biodiversidade, produtividade, capacidade de regeneração, vitalidade e potencial para desempenhar, agora e no futuro, funções relevantes, económicas,  sociais e ecológicas, a nível local, nacional e global e sem causar danos a outros ecossistemas.

Em termos mais simples, o conceito pode ser descrito como a obtenção de equilíbrio, entre o aumento da demanda por produtos florestais e a preservação da saúde das florestas e da diversidade. Este equilíbrio é fundamental, para a sobrevivência das florestas e para a prosperidade das comunidades que dependem da floresta.”

Definição de Gestão florestal sustentável, desenvolvida pela Conferência Ministerial sobre a Protecção das Florestas na Europa (FOREST EUROPE), e desde então sido adoptada pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Policultura, associação de espécies e estratos nos novos sistemas florestais:

Existem muitas espécies florestais interessantes para além das amplamente cultivadas em Portugal.

As possibilidades são imensas, e podemos integrar numa exploração florestal espécies mais “nobres” como cedro, salgueiro, amieiro, choupo, carvalho americano e alvarinho, cerejeira, castanheiro, plátano, etc., dependendo claro, da região e das circunstâncias do local e da paisagem.

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É possível integrar em culturas de curto prazo, como o eucalipto, outras culturas com ciclos maiores. Pressupõe uma mudança de paradigma e pensar (pelo menos em parte) a longo prazo, associando espécies de colheita rápida (eucalipto) com outras que tardam um pouco mais a produzir, mas com valores bem mais rentáveis acima dos habituais para eucalipto e pinheiro bravo.

Por outro lado, temos o exemplo recente de experiências no montado/sobreiral em que se chegou à conclusão que em regadio, o primeiro descasque da cortiça é feito ao oitavo ano, e o segundo, somente quatro anos depois.keyline

 

 

Obviamente que não sugerimos produção florestal de regadio, mas sugerimos sim, o planeamento da paisagem e preparação de terrenos onde se tenha este factor em consideração, proporcionando assim uma “rega” passiva, através da hidratação da paisagem.

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De forma a maximizar a área de produção e optimizar recursos e potenciais, propomos equilibrar estes conceitos num contexto de gestão florestal sustentável, com a utilização dos várias camadas ou estratos vegetais ‐ herbáceo, subarbustivo, arbustivo e arbóreo.

Assim podemos associar (por exemplo) eucaliptos a leguminosas perenes como a casuarina (sendo esta também uma opção válida para produção de pasta de papel), alfarrobeira ou amieiro (dependendo da zona) ou giesta.

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Estas consociações de plantas beneficiam o crescimento geral das árvores e possibilita que as colheitas ocorram em rotação, salvaguardando‐se assim a existência permanente de vegetação no terreno após a colheita. Escusado será dizer que só mantendo uma estrutura perene vegetativa, através de sebes ou mesmo pela rotação temporal dos cortes/colheitas, se consegue reduzir a erosão, e a manutenção dos caminhos.

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Lista de potenciais árvores e arbustos a incluir num plano de gestão florestal, associadas ao Eucalipto:

  • Acer negundo
  • Alnus glutinosa
  • Betula celtiberica
  • Castanea sativa
  • Casuariana equisetifolia
  • Cedrus atlantica
  • Cedrus lusitanica
  • Cupressus sempervirens
  • Fagus sylvatica
  • Fraxinus angustifolia
  • Juglans regia
  • Liriodendron tulipifera
  • Platanus orientalis
  • Pinus halepensis
  • Pinus nigra
  • Pinus pinaster
  • Pinus pinea
  • Populus nigra
  • Prunus avium
  • Robinia pseudoacacia
  • Quercus rubra

Florestas mistas com várias espécies de “rebrota” oferecem alto rendimento e diversificação.

 

Perspectiva sócio­económica

Um espaço florestal produtivo economicamente e ecologicamente, pode e deve ser diverso e integrativo da população.

Ao criarmos um ecossistema florestal equilibrado, onde a estabilidade ecológica é atingida através de estratégias e técnicas integradas, podemos retirar produtos e subprodutos florestais com grande retorno económico que justificam a fixação de pessoas no meio rural através da criação de emprego. Hoje em dia o método de produção de florestas não consegue oferecer estas mais valias sendo que, pode ainda acarretar a degradação do tecido sócio‐económico local e ambiental.

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Os produtos com origens sustentáveis são cada vez mais requisitados por sociedades cada vez mais conscientes, educadas e com poder de compra.

Exemplificamos algumas actividades, produtos e subprodutos que poderão ser a base de uma economia local:

  • Madeiras para indústrias da pasta de papel;
  • Madeiras para indústrias de construção;
  • Madeiras nobres;
  • Carpintaria/serrações que valorizam as subproduções;
  • Apicultura (mel e produtos associados);
  • Plantas aromáticas para indústrias medicinais, cosmética, fragrâncias naturais e óleos essenciais;
  • Eco‐turismo e lazer;
  • Actividades tradicionais (ex: cestaria);
  • Biomassa para produção energética (30% da biomassa);
  • Produção de nozes para alimentação humana e animal;
  • Produção de frutos para alimentação humana e transformação (ex: medronho/aguardente)
  • Pastoreio;
  • Cortiça;
  • Sequestro de CO2;
  • Iniciativas pedagógicas e educacionais;
  • Fungicultura;
  • E muito mais…

Sistemas florestais ecológicos, umas referências:

  • http://www.srcplus.eu/images/Handbook_SRCplus.pdf
  • http://www.eurocoppice.uni-freiburg.de/intern/pdf/deliverables/silviculture-guidelines
  • https://academic.oup.com/forestry/article-abstract/doi/10.1093/forestry/cpx009/3061816/The-Bradford-Hutt-system-for-transforming-young?redirectedFrom=fulltext
  • http://www.forestguild.org/publications/research/2016/FSG_Bottomland_Hardwoods.pdf

 

PG01 – Planeamento de emergência pós fogo e design estrutural em Alvares

É na sequência do nosso trabalho pro bono para a zona afectada pelos grandes incêndios de Julho na zona de Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra e Góis, que desenvolvemos este projecto, para amigos que habitam perto de Alvares.

É uma propriedade difícil devido ao acentuado declive, e que foi praticamente toda queimada.

Neste momento, os proprietários preparam-se para intervir, só aguardam as linhas orientadoras que agora partilhamos.

Aqui estão um conjunto de ficheiros, que dão uma visão geral do que se pode e deve fazer, quer ao nível das intervenções pós fogo, quer a nível de criar uma estrutura permanente que mitiga a erosão e prepara o terreno para as plantações.

  1. Mapa de zoneamento e intervenções: Peppy v2-Zoneamento v2
  2. Corte/perfil: Peppy v4-Corte (2) sem logo.compressed
  3. Cronograma de gestão dos solos e biomassa: Cronograma de intervenção pós incendios terracrua 2017
  4. Modelo de “gestão de combustivel” para zonas habitadas: Faixa de gestão de combustivel-Corte sem logo

Hidratação da paisagem na gestão florestal

Antes de se pensar no parcelamento e nas espécies florestais a compor os futuros mosaicos, há que pensar na criação de circunstâncias adequadas ao desenvolver da floresta, e das populações locais.

O design hídrico da paisagem, é uma metodologia de planeamento da paisagem com base no seu relevo natural, permitindo assim uma melhor distribuição da água no terreno e maior infiltração, usando as propriedades físicas da água.

Permite também aumentar em poucos anos a profundidade do solo útil, ou seja, a espessura de solo que é efectivamente explorada pelas raízes das plantas. Um aumento do volume de solo, explorado pelas raízes traduz-­se num aumento de nutrientes e de água disponível para as plantas, resultando no aumento da produção obtida, seja em pastagens, cereais, fruta, hortícolas, etc.

Através da observação e análise da paisagem e do estudo da hidrologia na região, ficamos com uma ideia clara sobre o comportamento da água da chuva no local. Assim compreendemos onde a chuva cai, onde vai, de que forma podemos optimizar a infiltração.

Após este estudo e compreendendo a dinâmica da chuva no local, podemos então planear as melhores estratégias e técnicas para hidratar a paisagem e desta forma ajudar a reduzir o risco de incêndios, assim como outras vantagens:

  • Aumento de área de cultivo;
  • Possibilidade da rápida construção de solo;
  • Aumento da infiltração da chuva;
  • Facilidade de acessos na propriedade;
  • Manutenção mais económica e a possibilidade de sistematização dos processos de implementação, manutenção e colheitas;

De facto, um solo vivo e saudável aumenta a infiltração de chuva, para que a curto e médio prazo se reduza a necessidade de rega.

Princípios ecológicos para a hidratação da paisagem:

  • Planear, baseados em três princípios base para lidar com as escorrências superficiais: reduzir a velocidade, espalhar e infiltrar;
  • Definir zonas 5, florestas de cumeada e linhas de água, quando intocadas estas zonas aumentam a precipitação média do local;
  • Planear as preparações do terreno, consoante os declives, definir onde se constrói terraças e onde bastam valas de infiltração em contorno para alojar as árvores e arbustos;
  • Definir quais terraças ideais para acessos principais (nomeadamente acessos para combates a incêndios) e incliná-las longitudinalmente (0,5 a 1%) na direcção das charcas/barragens;
  • Inclinar todas as terraças para o interior (2%) e longitudinalmente na direção das cumeadas secundárias (0,5 a 1%);
  • Desenhar com vista à cobertura viva e permanente do espaço florestado através de prados rústicos (ex. carqueja, tojo, serradela, giesta ou herbáceas/gramíneas anuais, ou mesmo prados de herbáceas, devidamente gerido através de cortes sucessivos) O gado pode e deve ser integrado;
  • Evitar o corte total da exploração florestal, fazendo rotação de plantações e colheitas, quer em monocultura, quer em policultura;